blogSELECT txt_atv AS TERAPEUTA_ATIVO FROM cadtxt WHERE txt_cod = 25 AND txt_atv = 'S'
Nem toda diferença é um problema, muitas vezes, é apenas um jeito diferente de sentir, pensar e estar no mundo. Quando falamos sobre TDAH e superdotação dentro dos relacionamentos, não estamos tratando de rótulos ou diagnósticos da moda, mas de formas legítimas de funcionamento que pedem compreensão e tradução.
No primeiro episódio da segunda termporada do podcast Ouvi na Terapia de Casal, a terapeuta Tati Perez conversa com o psicólogo Felipe Rosenberg sobre como essas características se manifestam na vida a dois e de que forma podem deixar de ser um obstáculo para se tornarem uma força dentro da relação.
O TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) e a superdotação (ou altas habilidades) são exemplos de neurodivergência, ou seja, modos diferentes de o cérebro funcionar. O TDAH costuma estar ligado à dificuldade de foco, impulsividade, desorganização e a uma espécie de "miopia temporal", em que o agora se sobrepõe ao depois. Já a superdotação envolve alta sensibilidade, intensidade emocional, pensamento profundo e uma busca constante por sentido e propósito. Esses traços, quando não compreendidos, podem gerar mal-entendidos no relacionamento. Um esquecimento, por exemplo, pode parecer desinteresse; uma intensidade, drama. Mas, quando há informação e empatia, o olhar muda: aquilo que antes era fonte de conflito passa a ser reconhecido como uma forma diferente de amar.
Com a popularização dos conteúdos sobre saúde mental nas redes sociais, muitos passaram a se identificar com sintomas e a se autodiagnosticar. Mas o diagnóstico correto é o que realmente traz alívio e clareza, pois permite entender que não se trata de falta de amor ou de esforço, e sim de funcionamentos cerebrais diferentes. Saber que o parceiro tem TDAH ou superdotação ajuda a retirar o peso da culpa e abre espaço para um vínculo mais empático. Entender a origem de certos comportamentos ajuda o casal a se reconhecer de forma mais generosa: o esquecimento deixa de ser visto como descaso, a intensidade deixa de ser interpretada como exagero.
Nos casais, o TDAH pode aparecer através de atrasos, desorganização e distrações, enquanto a superdotação tende a trazer profundidade e necessidade de significado. Um pode estar pensando em propósito de vida enquanto o outro só quer descansar do dia de trabalho. Um quer mergulho, o outro precisa de leveza. Essas dinâmicas criam desafios, mas também oportunidades. Quando o casal não reconhece as diferenças, surgem os padrões de crítica e defesa. Quando há compreensão, nasce a complementaridade ? e a relação se torna um espaço de crescimento mútuo.
A grande virada acontece quando o casal aprende a ressignificar as diferenças. A pergunta deixa de ser "por que você é assim?" e passa a ser "o que posso aprender com o seu jeito?". O TDAH, que antes era visto apenas como desatenção, pode se revelar como criatividade, movimento e espontaneidade. A superdotação, que pode parecer exagero, pode ser também profundidade, lealdade e busca por propósito.Quando o casal muda o olhar, o relacionamento deixa de ser um campo de correção e passa a ser um espaço de aprendizado ? onde o amor se constrói a partir da curiosidade e do respeito, e não da cobrança.
Relações saudáveis com neurodivergência exigem mais do que amor: pedem estratégias práticas de convivência.
- Comunicação não violenta: trocar acusações por descrições de sentimentos. Em vez de "você é distraído", dizer "quando você se esquece, eu me sinto deixado de lado e gostaria de conversar sobre isso".
- Rituais de conexão: criar momentos consistentes de presença ? um café sem celular, um check-in no fim do dia ou um encontro semanal para conversas mais profundas.
- Apoio na organização: compartilhar calendários, usar lembretes e combinar responsabilidades de forma clara.
- Gestos e códigos: desenvolver sinais sutis para indicar pausas, limites ou momentos inadequados para certas conversas.
- Revisar acordos: entender que o relacionamento é um sistema vivo. O que funciona hoje pode precisar de ajustes amanhã.
Essas práticas não tiram a naturalidade do amor ? ao contrário, mantêm o vínculo vivo e funcional. Assim como cuidamos de compromissos de trabalho ou de saúde, também precisamos cuidar da rotina afetiva.
Relacionar-se com alguém neurodivergente é um convite à presença. É aprender que o amor não se mede por perfeição, mas pela disposição de compreender o outro em seu ritmo. O amor cresce quando trocamos crítica por curiosidade, pressa por escuta e cobrança por presença. É nessa dança ? entre o impulso e o cuidado, entre a intensidade e o descanso ? que os casais aprendem a criar uma nova música juntos. No fim das contas, amar alguém com TDAH ou superdotação é como lapidar uma pedra bruta: exige paciência, sensibilidade e constância. Mas, quando há amor e vontade de entender, o que emerge é um brilho raro ? o de um relacionamento que transforma diferença em conexão.
Assista o episódio em:
Psicólogo Cognitivo Comportamental, Logoterapeuta, Terapia dos Esquemas, Orientador Parental e Profissional. Busco auxiliar pessoas a viver suas diferentes formas de amar, compreendendo e acolhendo suas relações. Na terapia individual atuo com demandas de relacionamentos, TDAH, burnout, autoconhecimento, menopausa, depressão, bloqueios, ansiedade, espiritualidade, orientação profissional e vocacional, mudança de país, inteligência emocional, dependencia emocional e luto. Na terapia de casal atuo com demandas de reconciliação, termino, perdas, família, ciúmes, comunicação, religião, parentalidade. Ajudo as pessoas a encontrarem um sentido nos seus problemas. Atendo adolescentes, adultos, idosos e casais.
Para saber minhas formações, currículo, veja no site: https://www.descobrindoosentido.com.br/curr%C3%ADculo-forma%C3%A7%C3%B5es