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Muitas mulheres procuram terapia acreditando que o principal problema está no relacionamento. No entanto, ao longo do processo, descobrem que a maior batalha acontece dentro de si mesmas. Insegurança, medo de não ser suficiente, dificuldade para estabelecer limites, necessidade constante de aprovação e comparação com outras mulheres costumam estar na raiz de muitos conflitos afetivos.
Foi sobre essa relação entre autoestima, identidade feminina e relacionamentos que Tati Perez conversou com a psicóloga Agna Ariane em mais um episódio do podcast Ouvi na Terapia de Casal. A conversa mostra que fortalecer a autoestima vai muito além de se sentir bonita ou confiante. Trata-se de construir uma base sólida para viver relações mais saudáveis, equilibradas e verdadeiras.
Segundo Agna, a autoestima funciona como um termômetro interno. Quando está fortalecida, a mulher consegue comunicar suas necessidades com clareza, impor limites sem culpa e não aceita permanecer em relações marcadas pelo desrespeito ou pela falta de reciprocidade. Já quando está fragilizada, surgem comportamentos como o medo constante de abandono, o excesso de ciúmes, a dificuldade de dizer não, a comparação permanente e a busca incessante por validação externa.
Esses sinais muitas vezes passam despercebidos pela própria mulher, justamente porque a baixa autoestima compromete a forma como ela enxerga a si mesma. Pequenos conflitos passam a ser interpretados como ameaças de rejeição e qualquer crítica parece confirmar a crença de que ela não é suficiente.
As consequências dessa fragilidade também aparecem na vida sexual. Quando existe uma relação negativa com o próprio corpo, o desejo e a intimidade acabam sendo prejudicados. Muitas mulheres evitam momentos de proximidade porque sentem vergonha da própria aparência, permanecem preocupadas com a forma como serão vistas pelo parceiro e deixam de viver a experiência da intimidade de maneira espontânea. O foco deixa de estar na conexão e passa a ser ocupado pelo autojulgamento.
Outro ponto importante discutido no episódio é o impacto da sociedade e das redes sociais na construção da autoestima feminina. Vivemos cercados por padrões de beleza quase inalcançáveis, alimentados por imagens cuidadosamente selecionadas e editadas. A comparação constante faz com que muitas mulheres nunca se sintam suficientemente bonitas, jovens ou bem-sucedidas, independentemente da realidade.
As apresentadoras também refletem sobre como essa pressão aparece nas conversas do dia a dia. Procedimentos estéticos, envelhecimento e mudanças no corpo acabam se tornando temas frequentes entre amigas, o que pode fortalecer ainda mais a sensação de inadequação em mulheres que já vivem um momento de insegurança. O problema não está em realizar procedimentos ou cuidar da aparência, mas em fazê-los apenas para corresponder às expectativas dos outros, e não às próprias escolhas.
Diante desse cenário, o autoconhecimento surge como um caminho essencial. A terapia permite identificar padrões repetitivos, reconhecer crenças profundas como "eu não sou suficiente" ou "sempre vou ser abandonada" e desenvolver uma postura mais assertiva diante da vida e dos relacionamentos. Fortalecer a autoestima significa aprender a validar a si mesma antes de buscar essa validação no olhar do outro.
Durante a conversa, Agna apresenta o Método Mulher Magnética, criado a partir de sua experiência clínica e de sua própria trajetória. O objetivo do método não é ensinar mulheres a conquistar um parceiro, mas ajudá-las a fortalecer a própria identidade e ocupar seu espaço no mundo com autenticidade.
O trabalho é estruturado sobre três pilares. O primeiro é o autoconhecimento emocional, que permite compreender sentimentos, necessidades e padrões de funcionamento. O segundo envolve posicionamento e limites, tanto nos relacionamentos quanto na carreira e na vida pessoal. O terceiro pilar busca fortalecer a conexão com a identidade feminina, o desejo e a sexualidade, entendendo que sexualidade é parte da saúde mental e do autoconhecimento, e não um instrumento de sedução.
Uma das ideias centrais apresentadas por Agna é a necessidade de sair da invisibilidade. Muitas mulheres passam anos tentando atender às expectativas alheias sem perceber que deixaram de olhar para si mesmas. Despertar o próprio potencial significa justamente interromper esse movimento e voltar a reconhecer quem se é, quais são os próprios valores e o que realmente faz sentido para a própria vida.
Ao longo da conversa, Tati também compartilha experiências pessoais que ilustram esse processo. Ela destaca como, em diferentes momentos, precisou refletir sobre escolhas que faziam sentido para outras mulheres, mas não necessariamente para ela. Esse exercício de reconhecer a própria identidade, sem se deixar levar pela comparação ou pela pressão social, faz parte do amadurecimento emocional e da construção de uma autoestima mais consistente.
O episódio termina com uma mensagem poderosa. Autoestima não é ego nem vaidade. É a base que permite amar sem se abandonar, criar vínculos sem perder a própria identidade e construir relacionamentos em que não seja necessário diminuir quem se é para permanecer ao lado de alguém.
Despertar o próprio potencial não significa se transformar em outra pessoa. Significa ter coragem de reconhecer e viver, com mais consciência, autenticidade e liberdade, tudo aquilo que já existe dentro de si.
Psicóloga CRP 07/26032 com Especialização em Terapia Sistêmico-Cognitivo de Famílias e Casais e em Sexualidade Humana. Tem como missão auxiliar pessoas e casais a descobrirem e se conectarem com sua forma de amar (monogâmica ou não). Hoje realiza sua missão através dos atendimentos clínicos online a casais e também através da capacitação Ser Terapeuta de Casal que educa e empodera psicólogas no atendimento com casais. Luta por um mundo em que a diversidade seja reconhecida para que todos possam receber atenção, acolhimento e atendimento qualificado. Idealizadora deste site de indicações e supervisora das/os psicólogas/os nele cadastradas/os.