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O que a comunicação esconde

O que a comunicação esconde

por Samantha Alves Pereira de Souza - CRP 04/54059

Muitas vezes, casais chegam à terapia dizendo que o problema deles é a comunicação. No entanto, o que se percebe é que essa queixa é apenas a ponta do iceberg. A comunicação ineficaz, manifestada por gritos, silêncios ou críticas, costuma esconder questões muito mais profundas, como inseguranças, medos de rejeição, ressentimentos acumulados e expectativas não atendidas. O que realmente está em jogo é a conexão entre os parceiros e o sentimento de segurança dentro do relacionamento.

Samanta Alves, psicóloga clínica e especialista em terapia de casal, explica que crenças negativas sobre si mesmo e sobre os outros interferem diretamente na maneira como nos comunicamos. Por exemplo, se alguém acredita que será rejeitado ao expressar sentimentos, é provável que evite se abrir, adotando uma comunicação passiva. Quando isso se encontra com um parceiro de apego ansioso, surge uma comunicação mais agressiva, numa tentativa de ser ouvido e visto, e o ciclo se repete. A raiva ou a frustração que vemos são apenas a superfície do que realmente está acontecendo emocionalmente.

Essas crenças e padrões emocionais têm origem na infância, nos primeiros vínculos, mas também podem se fortalecer ao longo da vida adulta. Um estilo de apego evitativo, por exemplo, muitas vezes surge de experiências em que a criança não teve suas emoções acolhidas ou foi repreendida por expressá-las. Já o apego ansioso pode se desenvolver a partir de cuidadores imprevisíveis, gerando medo de abandono e insegurança constante. No relacionamento adulto, essas experiências se refletem na dificuldade de comunicação e na interpretação de gestos simples como sinais de desinteresse ou rejeição.

A terapeuta Tati Peres compartilha sua experiência pessoal, mostrando que a comunicação difícil muitas vezes é um disfarce para emoções intensas. No início de seu relacionamento, ela travava diante de conflitos e acabava chorando sem conseguir falar. Foi o acolhimento e a paciência de seu parceiro que proporcionaram segurança emocional e permitiram que se sentisse ouvida, mesmo na vulnerabilidade. Esse processo ilustra como a comunicação ineficaz pode ser uma forma de proteção contra medos profundos, como rejeição, conflito ou exposição da vulnerabilidade.

No consultório, Samanta observa que muitos casais tentam resolver problemas de comunicação sem antes compreender o que essas dificuldades estão expressando. Técnicas como falar sem interrupção ou usar a palavra "eu" são úteis, mas não atingem a raiz do problema. É necessário interpretar o que está por trás da raiva, do silêncio ou da crítica. Traduzir emoções em necessidades, entender a vulnerabilidade do outro e acolher suas dificuldades é fundamental para que a comunicação deixe de ser apenas um sintoma e se torne um caminho de conexão verdadeira.

Alguns sinais mostram que a comunicação é apenas um reflexo de questões mais profundas: a recorrência de padrões de conflito mesmo após tentativas de diálogo, a mudança de foco em discussões de pequenos detalhes para acusações sobre cuidado ou consideração, e a ausência de diálogo real, quando a indiferença e a apatia substituem a interação emocional. Reconhecer esses sinais é essencial para buscar ajuda e trabalhar na raiz das questões emocionais, seja individualmente ou como casal.

Para Samanta e Tati, a mensagem final é clara: a comunicação é só o sintoma, o verdadeiro desafio está em olhar para as emoções que tentamos controlar, disfarçar ou negar. Quando conseguimos enxergar o que está na sombra, podemos nos comunicar com mais verdade, tanto com o outro quanto conosco mesmos.

Se este conteúdo ajudou a refletir sobre a comunicação no seu relacionamento, vale a pena compartilhar com quem possa se identificar e continuar acompanhando o podcast "Ouvi na Terapia de Casal", que traz episódios semanais com temas essenciais para relacionamentos mais saudáveis.

Samantha Alves Pereira de Souza

Ei, pessoal! Sou a Samantha Alves, uma psicóloga clínica formada pela PUC Minas e uma terapeuta de casais apaixonada pelo que faz. Além disso, recentemente concluí meu mestrado em cognição e comportamento na UFMG. 

Tenho uma formação sólida em Psicologia Baseada em Evidências científicas (PBE), Terapia Cognitivo-comportamental (TCC), Psicopatologia e terapia de casal com base sistêmica-cognitiva. Sou a mente por trás do projeto "Amores Imperfeitos", e minha missão é melhorar a qualidade de vida das pessoas através de relacionamentos amorosos saudáveis.

Há anos venho dedicando meu trabalho clínico e online à psicologia das relações amorosas. Acredito que todos nós merecemos relacionamentos felizes, cheios de amor e compreensão.