blogSELECT txt_atv AS TERAPEUTA_ATIVO FROM cadtxt WHERE txt_cod = 46 AND txt_atv = 'S'
Você já se pegou interpretando o comportamento do seu parceiro(a) e, depois, percebeu que talvez tenha exagerado?
Ou concluiu que algo estava errado na relação sem ter certeza real disso?
Esses são exemplos do que chamamos de distorções cognitivas ? formas automáticas e distorcidas de pensar que acabam influenciando como nos sentimos e reagimos dentro da relação. Na prática, são "erros de interpretação" que todos nós cometemos quando estamos magoados, inseguros ou tentando proteger algo importante. O problema é que, com o tempo, eles podem gerar mal-entendidos, ressentimentos e afastamento emocional.
Conhecer essas distorções é o primeiro passo para reconhecer o que é fato e o que é interpretação e começar a mudar o padrão de funcionamento do casal.
Polarização (ou pensamento "tudo ou nada"): Quando enxergamos a relação em extremos: ou está perfeita, ou está acabando.
"Se ele não faz o que eu espero, é porque não se importa."
A verdade é que o amor vive nos tons de cinza: há cuidado, falhas, tentativas e recomeços.
Leitura mental: Achar que sabe o que o outro está pensando, sem perguntar.
"Ela está estranha, deve estar brava comigo."
Em vez de adivinhar, conversar de forma direta evita que o medo substitua a escuta.
Catastrofização: Transformar um problema em tragédia.
"Se discutirmos de novo, o relacionamento vai acabar."
Discutir pode ser sinal de envolvimento ? o risco está em não saber conversar, não em discordar.
Desqualificação do positivo: Quando o outro faz algo bom e você logo encontra um "mas".
"Ele foi carinhoso, mas deve estar com culpa."
Que tal reconhecer o gesto pelo que ele é, sem anular o cuidado?
Personalização: Acreditar que tudo que acontece é culpa sua.
"Ele está quieto, devo ter feito algo errado."
Nem tudo o que o outro sente tem a ver com você, às vezes, é apenas o dia difícil dele.
Rotulação: Reduzir o outro a um defeito.
"Você é egoísta."
Rótulos fixam a pessoa no erro e impedem o diálogo sobre comportamentos específicos.
Supergeneralização: Usar "sempre" e "nunca" como verdades absolutas.
"Você nunca me escuta."
Procure as exceções: elas mostram que a relação ainda tem espaço para mudança.
Abstração Seletiva: Focar só no que deu errado, ignorando o restante.
"A noite foi péssima porque ele olhou o celular."
Quando olhamos apenas o que incomoda, deixamos de ver o que ainda nos conecta.
Maximização / Minimização: Dar proporções distorcidas aos acontecimentos.
"Ele foi carinhoso, mas é só por um momento."
Perceba o uso do mas: ele diminui o valor das pequenas atitudes positivas que sustentam o vínculo.
Imperativos ("deveria"): Viver segundo regras rígidas do tipo "um bom parceiro deve...".
"Devo estar sempre disponível quando o outro quiser."
O amor saudável é feito de acordos, não de obrigações.
Raciocínio Emocional: Acreditar que o que se sente é prova do que é real.
"Se eu me sinto rejeitado, é porque fui rejeitado."
O sentimento é verdadeiro, mas a interpretação pode não ser.
Adivinhação: Tentar prever o futuro, geralmente de forma negativa.
"Tenho certeza de que as coisas vão desandar."
Em vez de antecipar o fim, que tal observar o que está dando certo agora?
Questionalização: Ficar preso em "e se..." sobre o passado.
"E se eu não tivesse dito aquilo?"
A culpa paralisa; o aprendizado liberta. O que você pode fazer diferente hoje?
Vitimização: Colocar-se sempre como o lado que sofre, sem perceber o próprio papel na relação.
"Eu faço tudo por ele e ele nunca reconhece."
Tomar consciência da sua parte não significa culpar-se, mas assumir poder de mudança.
Em resumo: As distorções cognitivas não são sinal de fraqueza, são mecanismos automáticos do cérebro tentando nos proteger.
Mas quando elas dominam o diálogo, a relação passa a ser guiada por suposições, não por fatos.
Reconhecê-las é um convite para se responsabilizar pelo próprio olhar e abrir espaço para um amor mais lúcido, empático e real.
Psicóloga CRP 07/26032 com Especialização em Terapia Sistêmico-Cognitivo de Famílias e Casais e em Sexualidade Humana. Tem como missão auxiliar pessoas e casais a descobrirem e se conectarem com sua forma de amar (monogâmica ou não). Hoje realiza sua missão através dos atendimentos clínicos online a casais e também através da capacitação Ser Terapeuta de Casal que educa e empodera psicólogas no atendimento com casais. Luta por um mundo em que a diversidade seja reconhecida para que todos possam receber atenção, acolhimento e atendimento qualificado. Idealizadora deste site de indicações e supervisora das/os psicólogas/os nele cadastradas/os.